“Adolescente”. Assim fui chamado devido as peripécias amorosas. E não acho de modo algum ruim tornar a adolescência, pois é justamente esse o instante mais fecundo de nossa vida, no qual se mesclam a ingenuidade da criança e a ousadia do adulto; a criatividade lúdica e a destreza racional; a fragilidade infantil e a dureza da experiência. E não é isso o amor? Mescla confusa de ser grande e pequeno, ir em direção a adultície nos caminhos dos sonhos de criança, alcançar a maturidade pleno de ingenuidades. Instante curto, pueril, frágil como um segundo, contudo, um sentir profundo. Amor: instante de conflito, envolvimento, paz e guerra, alegria e tristeza. Manifestação pura desse turbilhão que somos, libertação das nossas prisões, paga apenas em amor independente do preço. Amar é voltar aos 17, esse instante em que somos um feroz animal deitado aos pés de alguém a procura de carinho, abertura das janelas da vida para que os olhos contemplem a alvorada tímida de novos dias e o campo a ser transformado em jardim.
Amo assim, como um adolescente, pois o amor não chega a ser plenamente adulto.
invariavelmente, escrever é se expor. vestir-se de mentiras não preserva o escritor de estar despido frente ao leitor – quem lê tem mãos nos olhos. ponto final é silêncio para o papel, mas início do eco nos pensamentos. quem escreveu uma vez, falará para sempre no corpo debruçado nas palavras.
basta o pouco para escrever;
ter muito a dizer também silencia.
as contradições são as tentações filosóficas. junto com divergências, é tesão para nem tantrismo dar conta.
o corpo se expõe com mais conforto a noite. durante o dia, não podemos desligar a luz do sol.
das palavras esperamos compreensão. do corpo, desejos. superamos o silêncio do outro, mas não suportamos seu olhar desviante.
as trilhas na grama seduzem mais do que a calçada decorada; imitam os traços tortos da vida.
acostumamos com a ausência das pessoas depois de muito tempo da sua partida. triste é acostumar com a falta quando elas são presentes.